Depois da Estréia:Emmy Rossum

Omelete Entrevista: Emmy Rossum, a Bulma de Dragonball Evolution

Atriz fala de perucas azuis, birncadeiras no set e viagens à Ásia

Domingo. Dia de descanso, certo? Não por aqui. Ficamos colados no telefone, perguntas a postos, esperando a Bulma ligar. Bom, não era bem a Bulma, mas sim Emmy Rossum, a atriz que ganhou o direito de pintar o cabelo de azul, mas não conseguiu. Muito simpática, a atriz demonstrou muita empolgação com o projeto e disse repetidas vezes que é fã de Dragon Ball desde que assistia ao animê na TV, que leu os mangás e que esse filme pode apresentar a série a novos leitores. Leia abaixo uma transcrição completa do papo:

Oi, Marcelo!

Oi, Emmy. Como vai você?

Vou bem e você?

Não tenho muito do que reclamar.

Que horas são aí? Já é de tarde?

12h45 agora. E aí em Los Angeles é bem cedo, né? 8h45. Quando vocês estavam filmando no México a agenda de vocês era puxada assim também?

Nós filmamos muita coisa à noite por lá. Mas para ser bem sincera, eu não ligo de trabalhar de manhã também. Sou do tipo madrugadora. À noite começo a ficar sonolenta.

Mas como foram as filmagens no México?

Foram ótimas! E acabou sendo uma experiência que criou uma ligação muito forte entre nós do elenco porque nenhum de nós falava espanhol. E por isso todos nós aprendemos muito. Diariamente aprendíamos coisas novas sobre as pessoas, a língua, a história. Foi incrível e muito divertido.

E todas as cenas de ação, as lutas, as cenas de correria…

Especialmente porque tudo isso aconteceu à noite, no deserto, onde fica muito frio – nós interpretamos super-heróis, mas não somos super-heróis de verdade – e tínhamos de ficar ali, tremendo ao usar apenas aquela fantasia de super-heroína. E isso acabou nos rendendo momentos cômicos. No fim até foi divertido.

Já as cenas de luta, elas eram estenuantes e difíceis. Eu estava nervosa porque esse é o meu primeiro filme de ação e do outro lado estava Chow Yun-Fat dentro do seu domínio. Ele poderia fazer um filme desses de olhos fechados de tanto que ele já fez nesse gênero. Já eu era a novata da turma e não queria fazer nenhuma bobagem, nem parecer desrespeitosa. Ele sempre foi super gentil, gracioso, disposto a ajudar as pessoas colocando a mão na massa mesmo, sabe?

Falando do Mestre Kame, o personagem do Chow You-Fat no filme, ele tem, digamos “segundas intenções” quando o assunto são as meninas.

Sim, ele é um velho safado.

(risos) Eu não queria ser tão explícito, mas é exatamente isso. Em comparação aos mangás, isso aparece muito pouco. Já estava assim no roteiro que você leu ou foi algo que acabou ficando mais leve durante as filmagens e edição?

Eu entendi o que você quer saber… já estava daquele jeito no roteiro. O mangá é bem mais adulto, abusado e sexy, levado ao limite mesmo, e é a partir disso que surge muito da comicidade da série. Mas nós estamos tentando levar Dragonball para um novo público, muito maior do que apenas os que já conheciam e liam o original. Queremos atingir mais gente, principalmente pessoas mais novas.

Como foi mostrar essa nova versão na Ásia, especialmente no Japão onde o número de fãs é obviamente enorme?

Foi muito empolgante. Nós fomos lá para fazer a premiere mundial em uma arena com 5 mil pessoas. Havia muitos fãs no meio do público que estavam vestidos como seus personagens favoritos. Eu me lembro de ver umas sete Bulmas com perucas azuis. Foi muito divertido. Eu espero que os fãs gostem do filme e que nós consigamos trazer novos fãs para os mangás que deram origem a tudo.

Por falar na peruca azul, eu estava lendo que você experimentou algumas versões. Por que vocês decidiram não utilizá-la e, na sua opinião, como ficou? E esse processo de alguma forma te ajudou a entrar na personagem?

Eu queria muito aparecer na tela de cabelo azul. Assim que recebi a confirmação de que o papel era meu eu disse que poderia descolorir meu cabelo e pintá-lo de azul. Para mim, isso era parte fundamental de quem a Bulma era: uma menina que expressa seus sentimentos pela cor do cabelo, seu estilo. Embora ela seja uma das pessoas mais inteligentes do mundo, ela é super feminina, do tipo que adora meninos e vai atrás deles. Por isso eu insisti que nós tínhamos que usar o cabelo azul. Nós testamos perucas azuis e rosa – porque depois no mangá ela acaba usando cabelos rosa e laranja – mas não ficou real. Ficava parecendo uma menina usando uma peruca. Mesmo que tivéssemos pintado o cabelo de azul, nada ficava legal. Justin sofreu algo muito parecido como Goku, com extensões e penteados que ficavam muito de pé. Nunca conseguíamos que eles ficassem menos cartunescos e mais realistas. Daí pensamos que quando se adapta algo dos quadrinhos para o cinema, mudanças são necessárias. Nós precisávamos fazer essa tradução para a nova mídia sem ficarmos perdidos, por isso partimos para essa solução em que apenas algumas mechas do meu cabelo são azuis.

Mas eu preciso dizer que adorei meu cabelo azul. Tem uma foto minha na Internet. Se você der uma busca você vai achar.

Você esperava ter mais cenas de luta? Pergunto isso porque a Bulma é a garota que anda para cima e para baixo segurando uma arma…

Na verdade, não. Bulma é mesmo uma menina muito inteligente, uma cientista e especialista em armas. Ela não é do tipo que costuma sair na mão. Mas ela bota medo. Ela é certamente a personagem mais durona que eu já fiz e esse é um dos motivos que me deixou tão ansiosa por interpretá-la: fazer algo que é tão diferente das outras garotas que eu já havia feito.

Por falar nisso, como você entrou no projeto?

Foi por meio de testes. Eu ouvi dizer que eles iam fazer o filme, e tinha ótimas memórias da série de animês Dragon Ball Z, que eu assistia quando era menor. Eu lembrava da Bulma, de como ela era determinada, sexy e engraçada. A ideia [do filme] me pareceu divertida e então eu comecei a ler os mangás para me familiarizar mais com a origem da personagem antes de participar do teste com o [diretor] James Wong. E quando fiquei sabendo que o papel era meu comecei a ficar nervosa, principalmente porque ia contracenar com o Chow Yun-Fat e eu nem sabia o que era um gancho de direita, nem nunca tinha dado mais do que um chute em uma aula de kickbox no colégio. Foi empolgante e abriu meus olhos para várias coisas. Mostrou que eu poderia me tornar uma lutadora se eu quisesse e uma das coisas que colaborou muito com isso foi o fato de treinarmos todos juntos, em grupo. Não sei se para você é assim também, mas para mim é sempre muito mais fácil fazer as coisas em turma, como se fôssemos um time, sabe?

Nós sabemos que Stephen Chow foi um dos produtores do filme. Ele aparecia por lá durante as filmagens?

Ele era como um deus onipresente, que sabíamos que estava flutuando por ali, mas ninguém o via.

Eu li que você estava muito nervosa por ter de guiar aquele tipo de motocicleta. Como foi?

Eu estava mesmo muito nervosa porque era a minha primeira vez em cima de uma moto e eu estava com medo mais de machucar as pessoas que ficavam por perto do que a mim mesma. [risos] Não que eu seja uma má motorista… Mas foi legal. Um dos dublês me ensinou como funcionava e em dois dias eu estava andando para cima e para baixo com o Chow Yun-Fat na garupa. No fim até fiquei com vontade de levar aquilo para casa.

Você poderia compartilhar conosco algum erro de gravação, curiosidade ou brincadeira que aconteceu no set?

Nós tivemos muitas brincadeiras no set, principalmente porque nós nos demos muito bem e confiávamos uns nos outros. Eu lembro que ficava meio tímida ao lado do Chow Yun-Fat e no nosso primeiro dia de filmagens ele me contou que era vegetariano e como isso o ajudava a manter a forma. Eu fiquei com isso na cabeça e na hora do almoço eu não quis pegar nenhuma carne, para não parecer desrespeitosa com todos os ensinamentos que ele estava me passando ou deixá-lo bravo. Meu prato estava lá, cheio de vegetais e saladas, quando olho do outro lado da mesa e ele com um bifão enorme já pela metade. Ele estava só me zoando o tempo todo.

E por falar em comida, como vocês se adaptaram à comida mexicana, que pode ser bastante “perigosa” se você não está acostumado ou não gosta das coisas temperadas.

Eu não acho. Eu comi de tudo. Adoro comida mexicana! Tínhamos muito arroz, feijão, galinha apimentada, guacamole… Foi ótimo! Eu adoro viajar para um lugar diferente e pegar um pouco da cultural local. É uma coisa que abre seus horizontes.

E você tem feito muito isso promovendo esse filme, certo?

Oh yeah!

Qual foi o lugar mais legal que você foi recentemente?

Tailândia. Bangcoc é uma cidade que tem uma energia própria. E ajuda também o fato de que foi a minha primeira vez por lá. Também adoro Tóquio, mas foi a minha sexta vez na cidade. Eu adoro aquele lugar. É uma das minhas cidades preferidas no mundo todo. Em Bangcoc, tínhamos tantas coisas para ver, os mercados públicos, a comida e eles têm um lindo rio banhando a cidade. Foi sensacional.

Depois de fazer a promoção toda do filme no Oriente, agora vocês estão começando a turnê ocidental. Como vocês vão vender esse filme por aqui?

Não sei como fazer isso. Sou uma atriz. Tudo o que eu posso dizer é que eu estou muito empolgada com o filme que fizemos. É algo divertido, feito para a família toda, baseado em um mangá conhecido por muita gente e que tem uma história fantástica, cheia de ensinamentos morais. Espero que as pessoas gostem também. Essa é a minha parte.

A última pergunta: quantas vezes já perguntaram para você o que faria se juntasse as sete esferas do dragão?

Acho que umas 750 mil vezes. [risos] E eu sempre acabo dando uma resposta diferente porque, na verdade, eu tenho mais do que apenas uma coisa a pedir. Peço desde coisas bobas como um sorvete que seja saudável até coisas mais sérias como melhorar a qualidade do mundo, e para a minha família ser feliz e saudável ou que todas as pessoas achem o que as interessa nessa vida.

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